
1.
... Às vezes, Marinho Pinto até tem colocado o dedo na ferida: a falta de independência da magistratura, as relações promíscuas entre os poderes económico e o político, a fragilidade das investigações judiciais, a incompetência das leis e a brandura com que se são tratados os poderosos.
No entanto, entre a acusação óbvia e a crítica documentada há uma enorme diferença: a diferença entre o demagogo e o líder consequente. Foi nisto que Marinho se transformou: num bastonário ruidoso, que perdeu a credibilidade e, com ela, a hipótese de ajudar o país....
André Macedo
2.
Este editoral de André Macedo resume bem a figura de Marinho Pinto. Ele tem muitas vezes razão, mas, ao comportar-se como um justiceiro-que-não-pára-calado-um-minuto, perde muitas vezes essa razão. Tem a típica atitude dos "virtuosos" que rapidamente acabam na categoria dos "chatos". Pinto tem um dos vícios dos agentes da justiça portuguesa: esquece que tem um cargo institucional e começa a opinar a torto e a direito, perdendo o rasto à sua função institucional.