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Clube das Repúblicas Mortas

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19
Mai09

Turquia, sim

Henrique Raposo

- Faz sentido, faz, caro Luís Naves. Aliás, a freedom house considera a Turquia como país semi-livre devido ao papel que os militares têm no sistema político. Era preciso um “1982” na Turquia para que esta fosse uma verdadeira democracia liberal, à semelhança das outras democracias europeias. Os militares, os guardiões do secularismo, são o principal entrave institucional à entrada da Turquia na UE. E os magistrados que processam pessoas por “delito de opinião” contra a “turquicidade” são outro.

- Uso “jacobino” no sentido analítico do termo: o ódio de morte à religião; o querer retirar a religião da própria sociedade. Não se trata de tirar a religião do Estado (ainda bem), mas de se proibir a própria religião na sociedade (ainda mal). Na viagem que fiz a Istambul, o presidente da associação de escritores turcos dizia-me que queria um secularismo americano e não o secularismo francês que existe na Turquia desde 1923. O AKP não quer transformar a Turquia num Estado Muçulmano. Quer “apenas” que as pessoas, políticos inclusive, possam demonstrar a sua fé. Alguém põe em casa o secularismo dos EUA só porque Obama põe a mão em cima da bíblia?

O Luís Naves, se me permite, está a ser injusto com o AKP. O AKP não é um movimento islamita. O partido islamita turco, se não estou em erro, tem apenas entre 3% a 5% dos votos. O AKP não é islamita, mas sim islâmico. Não podemos confundir as coisas aqui. E sobretudo não podemos pensar que tudo o que é islâmico é mau. O AKP é um partido democrata-islâmico, tal como existem partidos democratas-cristãos. Alguém vai dizer que o Estado Alemão é "cristão" quando a CDU está no poder? Tal como os partidos democratas-cristãos quiseram dignificar o legado cristão dentro da política moderna (respeitando essa política moderna), também o AKP quer dignificar a tradição muçulmana dentro da política moderna. E tem esse direito. Mesmo quando não se concorda com os tais "costumes". O AKP diz as mesmas coisas que os irlandeses diziam nos anos 70 (aborto, etc), mas a Irlanda entrou na mesma. E é assim mesmo. Se começamos a falar de "costumes" ninguém se entende. E a UE não é sobre "costumes", mas sobre "instituições".

Não é por acaso que os liberais turcos (uma espécie de ponte entre nacionalistas kemalistas e islâmicos) criticam mais os kemalistas do que os islâmicos.

- Energia: quanto mais íntimos da Turquia, melhor. Força armada: hoje, a questão  é fortalecer a PESD, até para que os europeus cumpram o seu dever dentro da NATO. Aí, as tropas turcas davam muito jeito. 
 

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