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Clube das Repúblicas Mortas

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02
Nov10

Para começar a perceber o "novo" Brasil: as falácias sobre a globalização

Henrique Raposo

(pp. 41-42)

 

O conceito de eurocentrismo utilizado neste livro não saiu da pena de Samir Amin. Dentro da lógica neomarxista, Amin define eurocentrismo[i] como a exploração económica que o Resto do Mundo sobre às mãos do Ocidente. Ou seja, este eurocentrismo de Amin é só mais outro nome para a – suposta – conspiração capitalista que o Ocidente lançou sobre o mundo. Nada de novo, portanto. Este eurocentrismo de Amin reconvoca algo que Raymond Aron identificou nos anos 70: a ideia – falsa – de que a globalização é uma espécie de novo imperialismo ocidental, um “imperalismo do comércio livre”[ii]; a ideia – falsa – de que a riqueza do Ocidente foi feita à custa da pobreza do Resto do Mundo[iii]. (...)

Aliás, como veremos no capítulo I, os neomarxistas estão completamente errados, visto que a globalização deu um poder inusitado ao chamado Resto do Mundo e retirou poder ao Ocidente. A realidade desautorizou, por completo, o neomarxismo[iv]. Ao contrário do que dizia Amin, o liberalismo da globalização não foi um “vírus” ocidental[v] que infectou o Resto do Mundo. Tal como tem defendido o grande profeta asiático, Kishore Mahbubani[vi], o liberalismo de raiz ocidental acabou por ser uma ferramenta que chineses, indianos e brasileiros usaram para impor a sua vontade ao velho Ocidente. Devido à acção da globalização, os próprios criadores da dita globalização – os EUA e a Europa – estão a perder influência, porque os asiáticos começaram a utilizar o liberalismo ocidental da globalização para crescer economicamente. As tais “periferias” não-ocidentais, que Amin coloca na posição de vítimas da exploração do “centro” ocidental, são, na verdade, potências capitalistas de primeira grandeza (China, Índia, Brasil, etc.). E, neste momento, estas potências estão a disputar com o velho Ocidente a liderança da ordem capitalista mundial[vii]. Ou seja, não existe um centro ocidental, nem existem periferias não-ocidentais. Não existe nem o Norte maléfico, nem o Sul angélico. Existe, isso sim, uma nova distribuição de poder à escola global, com uma inédita pluralidade de grandes poderes espalhados por todos os continentes. Não por acaso, o global G-20 já substituiu o velho e eurocêntrico G-8 no centro da economia global.



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