Devido à crise mundial, a conversa sobre o proteccionismo tem sido uma constante. O proteccionismo, diz-se, é provocado pela pressão das populações; perante essa pressão, os governos não têm outra saída senão fazer proteccionismo económico.
Mas, se me permitem, o perigo maior não vem destas ânsias populares. O perigo maior advém das ânsias das elites políticas. E estas ânsias elitistas resultam da falta de humildade. Querem perceber e resolver uma crise cíclica - de alcance histórico - em apenas alguns meses. Há uma total falta de humildade para dizer: “tenhamos calma, esta crise é cíclica e vai demorar a passar, fazer y ou x não vai resolver nada”. Esta falta de humildade resulta ainda do maior tabu da política moderna: as nossas elites não aceitam que nem tudo está ao alcance do Estado. O Estado, na cabeça do político moderno, é um Deus com a capacidade para tudo resolver. O Estado, na terra, é como Deus no céu: tudo sabe, tudo controla, tudo resolve. Quando têm o Estado na mão, os políticos julgam que todos os problemas são pregos à espera do martelo (i.e., auxílio estatal). Sucede que a maior parte dos nossos problemas não são pregos.
Esta pressa em revolver a crise faz lembrar o explorador nas areias movediças: quanto mais se mexe, mais se afunda. O pior é que serão os filhos do explorador a pagar por estes erros.




