O PS decidiu tornar tudo ainda mais confuso. Durante meses, queixou-se de que a presidência da república pretendia condicionar a governação e lamentou que fosse demasiado íntima do PSD. E eis que vem agora pedir ao presidente que proteja o governo e que passe a orientar o PSD. Porque são esses os únicos sentidos que pode ter o seu bizarro “apelo” a Cavaco Silva.
Deseja o PS ter Cavaco Silva como líder supremo, ou usá-lo como intermediário de um Bloco Central informal? A maioria dos observadores preferiu acreditar que se trata apenas de mais uma habilidade para marcar pontos no concurso da vitimização pré-eleitoral. Se é isso, é canseira inútil. Há uma coisa que o PS já deveria ter percebido: o país nunca mais dará maiorias absolutas a estes chefes partidários. Mas talvez não seja isso. Mais provavelmente, é apenas o que parece: desorientação.
A classe política portuguesa viu o futuro esta semana, e estremeceu. O futuro, para Portugal, chama-se Grécia e Irlanda. Ainda lá não chegámos, mas vamos a caminho. Os nossos políticos, com o Estado que temos e a economia que o Estado nos deixa ter, já se estão a ver gregos e irlandeses, e sabem que lhes falta autoridade para sujeitar o país a mais um apertão. Esse é que é o problema da governabilidade em Portugal. Que só se há-de resolver noutro regime e com outras lideranças políticas.




