1. O erro maior deste programa – o erro de toda a era socialista (1995-2009) – é o desprezo que dá às condições para o investimento privado.
2. O erro começa na forma como o PS olha para a economia, para as empresas. O PS acha que é muito bonzinho só porque abre uma linha de crédito para as empresas, para as PME. Ora, as empresas não precisam dessa esmola estatal, situada a jusante dos problemas. As empresas precisam de um governo que seja capaz – a montante – de resolver os problemas do seu dia-a-dia das empresas, a saber: (1) Uma justiça absolutamente inacreditável. Em Portugal, é impossível reaver uma dívida por meios legais (como é que ninguém fala disto?). (2) Nós temos as leis laborais mais rígidas da Europa. Nós somos o país europeu com maior rigidez laboral. Bastam estes dois factores (podíamos falar de mais: falta de competitividade fiscal, por exemplo) para percebermos por que razão ninguém investe em Portugal. Há as Eslováquias ou as Repúblicas Checas, com justiças sem sindicatos, com leis laborais mais decentes, e com impostos mais baixos.
Incapazes de resolver os problemas reais do país (que destroem a vida das empresas, que não criam as condições para o investimento privado), os nossos queridos socialistas lançam milhões em crédito para as empresas; milhões que não resolvem os problemas de base e que, ainda por cima, só criam mais endividamento.
3. Depois, é claro, surge a panaceia do investimento público. Mas este investimento (TGV, mais auto-estradas) não é um investimento no país: é um investimento no estrangeiro – vamos lá fora buscar o dinheiro e o conhecimento. Os TGVs desta vida agradam às grandes construtoras, mas são terríveis para o país. Geram mais endividamento (que já passa dos 100% do PIB), e retiram crédito às PME.
4. Viciar a economia em obras públicas é sempre patético. É ainda mais patético quando estamos numa economia aberta. Este, aliás, é o paradoxo da nossa miséria: aceitámos entrar na UE/globalização, e depois baseámos a economia em obras públicas, isto é, coisas que não se exportam. Bom, pode ser que Jorge Coelho, num golpe de génio, invente a obra pública exportável.




