1. Antes mesmo da substância do programa, há aqui uma questão de Política a discutir. Sócrates está com uma estratégia meio chico esperta: “nós queremos governar, e, por isso, as oposições têm de assumir as suas responsabilidades”. Ou seja, as oposições têm de dizer sim a tudo, senão serão apelidadas de anti-patriotas pelo PS. Isto é uma táctica muito bushista. Era Bush que dizia “se estão contra mim, estão contra a América”.
2. Deve existir respeito pelas instituições. As eleições, em Portugal, elegem deputados. Não elegem um governo. O governo sai da assembleia, e deve respeitar a composição da assembleia. Como dizia há pouco Sarsfield Cabral, na SIC, este governo está a comportar-se como se ainda tivesse uma maioria absoluta. Não se pode tratar a oposição como se fosse um fantoche. O governo tem de negociar; não pode impor o seu programa ao país desta forma.
3. Este jogo de “culpabilização” dos outros - “que não nos deixam governar” - faz lembrar Cavaco em 85-87. Se calhar, Sócrates começou agora o jogo para tentar uma segunda maioria absoluta – provocando eleições antecipadas




