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Clube das Repúblicas Mortas

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28
Mai13

O que é possível não é necessariamente legítimo.

Henrique Raposo

 

Excerto de um ensaio - "De Ratzinger a Vieira" - publicado no Atual de 16 de Fevereiro

 

(...) Mas, infelizmente, este cientismo passou a ser o código moral das sociedades europeias. Ou seja, as nossas sociedades têm uma moral amoral. Sim, amoral. Porque a ciência e a tecnologia não estão no campeonato da legitimidade moral. Não é a ciência que determina se a prática x é legítima ou ilegítima; a ciência só determina se a prática x é possível. Aquilo que é possível fazer no campo material nem sempre é legítimo no campo moral. Exemplos? A eugenia é cientificamente possível, mas essa possibilidade não lhe dá legitimidade; é possível fazer um aborto depois das 10 semanas, mas essa possibilidade não dá legitimidade a essa prática. Portanto, a ciência não pode ser o centro da nossa moralidade. A moral de uma sociedade tem de ter uma dimensão transcendente, isto é, tem de possuir algo que escape à imanência (a imanência da ciência neste caso). E, mais uma vez, convém perceber que este argumento ratzingeriano não é um ataque à ciência. Pelo contrário, é uma defesa da ciência. Para ser realmente científica, a ciência não pode entrar nos debates morais. Aliás, o que é específico da ciência é a sua amoralidade. Não, não estou a dizer que os cientistas são amorais ou imorais, estou apenas a frisar que o método científico é amoral e, por isso, não pode ser a base moral da sociedade. Quando esquecemos este ponto, surgem coisas como aquele artigo científico que dizia que matar um bebé é o mesmo que fazer um aborto, pois as capacidades cognitivas de um bebé de seis meses são idênticas às de um bebé que ainda está na barriga da mãe. Mesmo que tenha verdade científica, este facto não confere legitimidade moral a um infanticídio (...)

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