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Clube das Repúblicas Mortas

Clube das Repúblicas Mortas

16
Jan12

Escrever (e ler) na Era do clique e do like no Facebook

Henrique Raposo

Iliteracia irónica

Crónica de 1 de Outubro


A era da net, que devia ser o Olimpo da informação, transformou-se na era dos mitos, dos boatos, do diz-que-se-disse, das teorias da conspiração confirmadas por um link obscuro de Singapura ou do Iowa. Nesta semana, circulou pela net um vídeo da BBC onde um gestor da City londrina dizia o seguinte: "todas as noites vou para a cama a pensar noutra recessão", "a Goldman Sachs manda no mundo". O vídeo circulou e circulou. Resultado? Todas as teorias da conspiração que assentam num deus ex machina sentado em Wall Street ou na City tiveram o seu momento orgástico. Milhares e milhares de internautas escreveram assim nos seus murais e blogues: "veem, veem, aqui está a confirmação, o capitalismo é mau". Problema? O tal profeta não é um gestor profissional, é apenas um rapazola à procura de fama, um profissional do stand-up que enganou a BBC (ou a BBC quis ser enganada). Problema ainda maior? Ninguém vai reparar neste 'pormaior', porque o efeito espalha brasas já foi alcançado. Ou seja, a net está transformada numa fábrica de preconceitos. Todos os dias, a galáxia virtual fornece os profetas e os links que legitimam as ideias pré-concebidas. Os links são de sítios pouco claros? Não interessa. A malta não usa a net para se informar, mas para se enterrar nos seus preconceitos. Para quê questionarmo-nos, quando podemos ficar no quentinho do nosso bunker?

 

E, atenção, a net não é apenas um problema para quem lê. Também é uma Caixa de Pandora para os escribas. Escrever uma coluna na net implica o convívio com várias tentações. A maior delas é a corrida dos likes. Ao fim de uma semana de escrita internética, até uma anémona consegue descobrir as palavras-chave que garantem enxurradas bíblicas de cliques e de likes. É muito fácil ter 7k (7 mil likes) num texto. É a coisa mais fácil do mundo. Mas também é a coisa mais populista. Não, não estou armado em esquisito. Claro que gosto de ter 7k. Estou apenas a dizer que esses 7k têm de surgir por acaso, e não por desígnio. São a cereja, e não o bolo. Até porque o escriba não deve desistir dos textos impopulares (contra a maré) e dos textos lunáticos (contra a agenda). Qual é o problema desta minha posição? É demasiado ingénua. A medusa dos likes vai continuar a destruir a honestidade intelectual de quem escreve. Surfar essa onda populista é um vício demasiado tentador. Não por acaso, a ironia já começa a desaparecer do nosso radar colectivo. Porquê? Este embrutecimento populista, ora essa, abole a delicadeza irónica. Todas as semanas, eu recebo emails de pessoas que não compreendem a ironia. Leem tudo de forma literal. E esta agonia da ironia - repito - é causada pela natureza da net. O mundo virtual exige - aos escribas - uma linguagem bruta e imediata, porque as pessoas não conseguem passar uns míseros minutos a ler um único texto no ecrã. Na net, há uma necessidade de varrer, na diagonal, vários textos em apenas um minuto. Ora, como se percebe bem, a ironia será sempre a língua morta desta cultura virtual e diagonal.

 

É por tudo isto que sinto uns tremores quando me dizem que os jornais em papel vão acabar. Ler em papel e escrever para o papel é o meu mundinho. Ler jornais em papel num sábado de manhã, por exemplo, é um dos pilares da minha noção de cultura. Sim, confesso: tenho medo que chegue um tempo sem o papel, sem o silêncio e o tempo largo do papel.

16
Jan12

Deixar o Pingo Doce? Não. Deixar a EDP é que é

Henrique Raposo

(...) Não, não vou deixar o Pingo Doce. E até lhe digo outra coisa: a sua indignação está com a mira desfocada. O que quero dizer com isto? Que não vou deixar o Pingo Doce, mas irei fazer tudo para deixar de ser cliente da EDP (...) andámos a navegar numa enorme falácia: "ah, nós estamos a gerar energia verde que é exclusivamente nacional, logo, diminuímos importações". Que bonito, ah? Sucede que a EDP, o dr. Mexia, o dr. Pinho e aquele-que-não-menciono-pelo-nome esqueceram sempre um ponto: quais são os custos dessa diminuição de importação de energia? (...)


Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/deixar-o-pingo-doce-nao-deixar-a-edp-e-que-e=f699168#ixzz1jbqQJ0Ap

15
Jan12

Isto da EDP faz-me lembrar a "Outra PT"

Henrique Raposo

p. 25:

 

(...) O mercado é o mercado. Os salários de um CEO português não podem ser protegidos e inflacionados para níveis alemães ou americanos. Zeinal Bava e António Mexia são, com certeza, os Di María da gestão, mas isso não lhes dá o direito de receberam como se estivessem em Manhattan. Se os "Reais Madrid" contratarem Bava ou Mexia, pois muito bem: sorte a deles, e oportunidade para novos Mexias e Bavas. O que não é aceitável, o que torna Portugal num país injusto é esta aritmética aristocrática: para os Bavas e os Mexias receberem como se estivessem a jogar no Real Madrid, um exército de gente anónima tem de levar 700 euros para casa. Isto é injusto. E, atenção, não estou a pôr em causa as remunerações altíssimas destes gestores. Grandes responsabilidades devem rimar com salários faraónicos, pois claro. Estou apenas a apontar para a injustiça óbvia que é ter o topo da empresa em Manhattan quando o corpo da dita empresa está em Odivelas ou no Barreiro. A pornografia não está nos milhões que Bava e Mexia recebem, mas na discrepância entre o topo engomado e a base maltrapilha (...)

12
Jan12

Pingo Doce, Maçonaria e EDP

Henrique Raposo
Pingo Doce. Maçonaria. Como diz o Miguel Gaspar, ambos os casos mostram que o populismo está forte. Cai tudo em cima sem ponta de dúvida, sem ponta de cepticismo. Em Portugal, da coluna de jornal até ao táxi, ser-se céptico é o mesmo que ser-se totó. Mas todos continuam a ser clientes da EDP. Ninguém se mexe para ver se podem ir para a Endesa ou Iberdrola. Estas têm de pagar à EDP na mesma? Então esse é o debate que interessa: porque é que a EDP tem o monopólio da distribuição? Isso não é contra as leis comunitárias? Mas, reparem, o populismo ainda vai aparecer a defender "essa campeã nacional que é a EDP".

12
Jan12

Nas livrarias

Henrique Raposo

 

As duas ditaduras, p. 199

 

(...) Nessa livre e frágil terra de ninguém, situada entre duas paredes autoritárias, a revista deu asas a figuras como Agustina, Sophia, Sena, Lourenço, etc., uma geração de intelectuais que, segundo Vasco Pulido Valente, "rejeitava simultaneamente a ditadura, o velho republicanismo jacobino e o PC". Por outras palavras, estes intelectuais recusaram submeter-se à chantagem do PCP (...)

11
Jan12

É só para dizer que já fui roadie do Paco Bandeira (e da Ana Malhoa)

Henrique Raposo

Há a Chinatown e a Little Italy, e depois há a Little Odemira. E eu nasci na Little Odemira, algures no concelho de Loures. Nasci num bairro construído por retornados e, claro, por alentejanos (...)  E, durante os três dias da festa, não parava quieto: ou estava na casinha dos jogos, ou estava a servir os ranchos convidados, ou estava a apoiar os cançonetistas. Fazendo as contas por alto, posso dizer que fui roadie do Toy, do Quim Barreiros, do Paco Bandeira e do José Malhoa (julgo que a Ana Malhoa ficou de beicinho por mim) (...)

 

Little Odemira, crónica de 12 de Novembro

11
Jan12

Sena e a hipocrisia do PCP

Henrique Raposo

1. A hipocrisia do PCP é coisa mesmo doentia. É doente. É para o divã. Esta gente perseguiu culturalmente Jorge de Sena (e Sophia, e Lourenço, e V. Ferreira, etc.). Após o 25 de Abril, esta gente vetou, de bracito no ar, o regresso de Jorge de Sena a Portugal. Porquê? A heterodoxia estética de Sena nunca foi perdoada. Para esta gente, não aderir ao neorealismo era o mesmo que defender o Tarrafal.

 

2. Agora, depois do regresso de Sena à pátria, esta gente faz um doce "lembrar Jorge de Sena". 

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