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Clube das Repúblicas Mortas

Clube das Repúblicas Mortas

12
Out11

Obrigado, mr. PL

Henrique Raposo

1. É porreiro quando surge um elogio de um ex-professor que partilha apenas 16% dos nossos pressupostos. Neste caso, até é um pouco mais, talvez 50%. Mas não faz mal, porque há um pressuposto que vale por muitos: a ideia de que Portugal cresceu muito entre 1950 e 2000. Sim, isto não é a Suécia, ok (juram?) e há que ter isso em conta quando aparece um power point a prometer Estocolmo ali em Santarém. Mas isto também não é Marrocos de cima. Quando se olha para o nosso século XX, não se pode dizer que "nada mudou", não se pode ter uma visão apocalíptica de Portugal. Mas essa visão existe e é hegemónica, até em períodos de crescimento: em 1990 muita gente dizia o mesmo que diz em 2011 (em 1990, Portugal crescia a taxas sul-coreanas).  Na verdade, a nossa cultura, a nossa narrativa nem sequer chega à parte do copo meio cheio ou meio vazio. Em Portugal, a narrativa principal - a queirosiana - diz que nem sequer há copo.

 

2. No nosso debate dominado por um optimismo lorpa (que surge de vez em quando) e por um pessimismo de Jeremias (que está cá sempre), convém encontrar um espaço de cepticismo. Pedro Lains é muito importante nesse ponto.

11
Out11

E depois os donos dos escritórios de advogados das PPP ainda vêm falar para a TV, como se fossem senadores

Henrique Raposo

crónica de 24 de Setembro

 

Os viscondes das PPP

Senhor primeiro-ministro, estou muito contente com o tautau que V. Exa. aplicou no rabiosque carnavalesco do visconde da Madeira. Mas, se não se importa, eu gostava de relembrar que há mais tautau para distribuir, há mais viscondes para meter na ordem. Para começar, era muito importante que V. Exa. renegociasse os contratos das PPP. As PPP, as SCUT & afins são as novas rendas e prebendas nobiliárquicas, e estão ao serviço dos viscondes do alcatrão. Convém acabar com isto, meu caro. É urgente meter o dr. Jorge Coelho a choramingar, qual Ana Avoila do alcatrão. O dr. Jorge Coelho e os outros drs. Jorges Coelho não podem continuar a passar entre os intervalos da chuva bíblica que está a inundar a carteira dos portugueses. Quantas Madeiras cabem naquilo que vamos pagar pelas PPP, meu caro? Quantos buracos da Madeira cabem nas rendas da Mota-Engil e das outras Motas-Engil?

Como V. Exa. já percebeu, o nosso problema não começa nos mercados externos, começa nas construtoras e concessionárias internas, sempre auxiliadas pelos escritórios-de-advogados-da-Avenida-da-Liberdade, esses eternos defensores do interesse nacional. Há que renegociar esta dívida interna. De forma simples e direta, o meu caro primeiro-ministro tem de dizer o seguinte às construtoras: lamentamos, mas não há dinheiro, os portugueses não vão pagar aquilo que V. Exas. acordaram com Sócrates e Lino. Esta medida é da mais elementar justiça, meu caro Pedro. Os impostos e sacrifícios que V. Exa. já pediu só serão legítimos - a médio prazo - se os contratos leoninos das PPP forem renegociados de alto a baixo. Renegociar é o seu dever como primeiro-ministro, em nome dos atuais contribuintes e, sobretudo, em nome dos contribuintes do futuro. Sim, do futuro. Pelas minhas contas de conservador forreta, uma criança que nasça hoje ainda vai ter de pagar as PPP lá por 2030 e 2040. Ser escravo fiscal das PPP da dupla Sócrates & Lino não é uma coisa que devemos legar aos nossos filhos, não acha?

Há momentos em que a legalidade perde legitimidade, meu caro Pedro. Este é um desses momentos. Os contratos das PPP são ilegítimos, até porque rasgam o contrato entre gerações. São moralmente inaceitáveis antes de serem financeiramente insustentáveis. Portanto, esta é uma guerra mais do que justa, meu caro. Como diz? Podemos perder essas renegociações em tribunal? Duvido. Sabe porquê? Porque V. Exa. levará Carl Schmitt para a sala de audiências. E, se Schmitt não for suficiente, o senhor primeiro-ministro poderá fazer outra coisa: contratar os tais escritórios de advogados que fizeram as PPP. Quem melhor para desfazer uma coisa do que o criador da coisa? Seria o chamado inside job.

11
Out11

Transportes: uma secretária de 65 mil euros?

Henrique Raposo

 

Coluna de hoje do Expresso online:

 

(...)

 

O comum dos mortais tem 22 dias, mas a malta dos transportes pode ter 30 dias. Então não é bom? O comum dos mortais vai trabalhar e depois recebe o salário. Mas acham que isto chega para os nossos sindicalistas dos transportes? Claro que não. Além do salário, esta boa gente recebe um prémio só por ir trabalhar. Repare-se: não é um prémio por produtividade. Não há cá dessas coisas "amaricanas", pá, o mérito e não sei quê. Estes trabalhadores recebem um prémio só pelo facto de aparecem no trabalho. Então não é bom? Claro que é. E também é bom gozar de um absentismo seis vezes superior ao normal. O absentismo é um direito adquirido, pá. Até porque ficar de baixa deve ser mais compensador do que ir trabalhar.


(...)
11
Out11

Da série "gosto deste sujeito"

Henrique Raposo

aqui

 

 

PS: eu gostava mais assim: "qual é a parte do 'não há guito' que v. exa. não entende?"

 

PS: ter Paulo Campos numa comissão sobre Obras Públicos é algo de, vá, pouco higiénico. Eu não entraria numa sala onde estivesse Paulo Campos, porque era bem capaz de perder a boa educação.

10
Out11

A Ascendi, Jorge Coelho e Paulo Campos, essas 3 coisas omnipresentes

Henrique Raposo

Caro Dr. Jorge Coelho, como sabe, V. Exa. enviou-me uma carta, com conhecimento para a direcção deste jornal. Aqui fica a minha resposta.

Em 'O Governo e a Mota-Engil' (crónica do sítio do Expresso), eu apontei para um facto que estava no Orçamento do Estado (OE): a Ascendi, empresa da Mota-Engil, iria receber 587 milhões de euros. Olhando para este pornográfico número, e seguindo o economista Álvaro Santos Pereira, constatei o óbvio: no mínimo, esta transferência de 587 milhões seria escandalosa (este valor representa mais de metade da receita que resultará do aumento do IVA). Eu escrevi este texto às nove da manhã. À tarde, quando o meu texto já circulava pela internet, a Ascendi apontou para um "lapso" do OE: afinal, a empresa só tem direito a 150 milhões, e não a 587 milhões. Durante a tarde, o sítio do Expresso fez uma notícia sobre esse lapso, à qual foi anexada o meu texto. À noite, a SIC falou sobre o assunto. Ora, perante isto, V. Exa. fez uma carta a pedir que eu me retratasse. Mas, meu caro amigo, o lapso não é meu. O lapso é de Teixeira dos Santos e de Sócrates. A sua carta parece que parte do pressuposto de que os 587 milhões saíram da minha pérfida imaginação. Meu caro, quando eu escrevi o texto, o 'lapso' era um 'facto' consagrado no OE. V. Exa. quer explicações? Peça-as ao ministro das Finanças. Mas não deixo de registar o seguinte: V. Exa. quer que um Zé Ninguém peça desculpas por um erro cometido pelos dois homens mais poderosos do país. Isto até parece brincadeirinha.

Depois, V. Exa. não gostou de ler este meu desejo utópico: "quando é que Jorge Coelho e a Mota-Engil desaparecem do centro da nossa vida política?". A isto, V. Exa. respondeu com um excelso "servi a Causa Pública durante mais de 20 anos". Bravo. Mas eu também sirvo a causa pública. Além de registar os "lapsos" de 500 milhões, o meu serviço à causa pública passa por dizer aquilo que penso e sinto. E, neste momento, estou farto das PPP de betão, estou farto das estradas que ninguém usa, e estou farto das construtoras que fizeram esse mar de betão e alcatrão. No fundo, eu estou farto do actual modelo económico assente numa espécie de new deal entre políticos e as construtores. Porque este modelo fez muito mal a Portugal, meu caro Jorge Coelho. O modelo económico que enriqueceu a sua empresa é o modelo económico que empobreceu Portugal. Não, não comece a abanar a cabeça, porque eu não estou a falar em teorias da conspiração. Não estou a dizer que Sócrates governou com o objectivo de enriquecer as construtoras. Nunca lhe faria esse favor, meu caro. Estou apenas a dizer que esse modelo foi uma escolha política desastrosa para o país. A culpa não é sua, mas sim dos partidos, sobretudo do PS. Mas, se não se importa, eu tenho o direito a estar farto de ver os construtores no centro da vida colectiva do meu país. Foi este excesso de construção que arruinou Portugal, foi este excesso de investimento em bens não-transaccionáveis que destruiu o meu futuro próximo. No dia em que V. Exa. inventar a obra pública exportável, venho aqui retratar-me com uma simples frase: "eu estava errado, o dr. Jorge Coelho é um visionário e as construtoras civis devem ser o Alfa e o Ómega da nossa economia". Até lá, se não se importa, tenho direito a estar farto deste new deal entre políticos e construtores.

 


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