Médicos: "Público" não é sinónimo de "Estatal"
1. É difícil dialogar num país onde grande parte das pessoas não compreende uma coisa: um serviço público não tem de ser um serviço estatal. O sistema de saúde da Holanda é baseado em hospitais e clínicas privadas (80%, se não estou em erro). Ora, esses privados prestam um serviço público, naturalmente. O ministério da saúde da Holanda é, no fundo, uma grande ADSE. Quem não dinheiro para um seguro de saúde vai ao estado diz "olhem, preciso de um seguro de saúde suportado pelo Estado". E é isso que acontece (se não estou em erro, a ideia de Obama era esta). Ou seja, o Estado financia directamente o doente, o cidadão. Alguém tem a lata de dizer que o nosso sistema é melhor do que o holandês?
2. Este é o centro político em países como a Holanda e Alemanha. Em Portugal, é fascismo e um retrocesso. Mas este retrocesso vai continuar a avançar, porque o SNS - a médio prazo - não tem condições para segurar os médicos. O futuro da nossa saúde pública devia passar pelo alargamento do princípio da ADSE a todos os cidadãos. Não sei se sabem, mas uma mulher com o salário médio nacional tem poucas possibilidades de ir a um obstetra com a regularidade desejada. Porque eles não existem no público e, no privado, são obviamente caros. Se o nosso sistema de saúde fosse uma ADSE alargada, essa mulher pegava no seu cheque-saúde e ia procurar o obstetra que, agora, só está ao alcance de quem tem dinheiro. Isto não é física quântica. Não é difícil de perceber, acho.



