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Clube das Repúblicas Mortas

Clube das Repúblicas Mortas

12
Jan11

6,7% é passar no teste?

Henrique Raposo

1. Emitir dívida a 6,7% é passar o teste? Então com a gozar com a minha carteira, é? Emitir dívida a 6,7% é como ter um 8 de 0 a 20. Ok, não tivemos um 5, que era emitir acima dos 7%, mas continuamos a ter negativas.  Enquanto não voltarmos - pelo menos - aos 4% de 2007, vamos continuar a chumbar. Se está contente por ter um 8 no teste, o país está lixado. Não podemos baixar a guarda.

 

2. A despesa tem de baixar. O défice até pode baixar, mas se a despesa continuar a aumentar nada será feito (isto é, não podemos baixar o défice com base no aumento constante de impostos e taxas). A despesa tem de baixar. Estes três primeiros meses são decisivos a esse respeito. O primeiro-ministro e o ministro das finanças têm ou não cojones para baixar a despesa? Ou seja, têm ou não cojones para enfrentar as burocracias dos ministérios e as câmaras e as fundações, etc?

 

3. Faltam €43,9 mil milhões.

12
Jan11

A culpa é sempre dos gays, não é?

Henrique Raposo

 

Texto de hoje do Expresso online:

 

É impressionante o ódio que varre as caixas de comentários: coisas do estilo "esse maricas estava mesmo a pedi-las", "a culpa só pode ser da bichona e não do miúdo, coitadinho". Os jornais vão permitir este tipo de lixo até quando?

 

I. As caixas de comentários da internet, de blogs ou de jornais, são como as casas de banho públicas: com raras excepções, é lixo atrás de lixo . É a versão internática do bom selvagem, um bom selvagem protegido pelo anonimato e com uma vaga noção de gramática. É o Homem sem qualquer tipo de filtro ou de controlo. O resultado não podia ser bonito. E, em Portugal, temos de adicionar um outro elemento à fórmula: o ressentimento, aquela raiva mui tuga que vem lá de dentro, viscosa, húmida, indignada, sempre indignada, e que chega a berrar. Quando se mete atrás de um teclado, o tuga revela toda a sua essência de gajo ressentido. É assim todos os dias por essa net fora. E, de vez em quando, surge um caso que baixa ainda mais o nível. O caso Carlos Castro está a ser um desses casos.

 

II. Perante isto, eu faço minhas as palavras de Ferreira Fernandes: "não há por aí um advogado que queira acabar com esta sensação de impunidade?". Sim, impunidade. As pessoas sentam-se no seu cobarde anonimato, e deitam cá para fora todo o lixo que têm acumulado na cabecinha. A onda anti-gay que anda por aí assusta, porque revela que boa parte da sociedade - além de ter vagas noções gramaticais - tem também uma vaga noção de moral: as pessoas não discutem o assassínio em si mesmo, mas o facto de o rapazinho gostar de mulheres. Aliás, todo o discurso da família e amigos do rapaz vai nesse sentido. É impressionante como não se fala da morte de Carlos Castro, mas sim do facto do "Rogério" gostar de mulheres. Vamos lá parar um pouco: não acham que é mais importante falar do acto imoral (que é matar uma pessoa) do que dos hábitos sexuais? A honra do macho é mais importante do que a questão moral do assassinato? Por favor, digam-me qual é o código moral e religioso que permite esta inversão de prioridades.

 

(...)

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