Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010
Irmandades

 

"A meio caminho no regresso a casa uma raposa salta do pinhal para a estrada (...) Tudo em pouco mais de um segundo e contudo, quando o nosso olhar se cruzou, senti passar por nós uma inegável corrente de simpatia"

 

 

 

 

 



por Henrique Raposo às 16:20 | link | partilhar

Discurso da geração de 70

1. É, de facto, curioso ver como as pessoas reagem mal a um discurso que negue (com factos; com factos, não com optimismo torpe) o discurso queirosiano sobre Portugal. Quando se lembra que Portugal foi um dos países que mais cresceu entre 1950 e 2000, as pessoas ficam sem pé e não conseguem pensar com esse facto; não metem esse facto na fórmula. Tal como escrevi no sábado, "os factos positivos sobre Portugal são factos incómodos para os portugueses".

 

2. Sim, a última década foi uma década perdida. Obrigado Sócrates, obrigado Guterres. Mas o último meio século não foi uma Era perdida. Pelo contrário.

 



por Henrique Raposo às 11:35 | link | partilhar

"Sindicalismo selvagem"

 

Ainda não vi o "capitalismo selvagem", mas já vi o "sindicalismo selvagem". Aquela birra, aquele motim dos controladores aéreos espanhóis foi, de facto, "selvagem".

I. A esquerdinha está sempre a falar de uma coisa chamada "capitalismo selvagem". Confesso que ainda não sei o que é isso (talvez seja o regime chinês). Mas, neste fim de semana, fiquei a saber o que é o sindicalismo selvagem. O motim (sim, motim; uma greve tem regras) dos controladores aéreos espanhóis foi um ato "selvagem", para citar a feliz expressão do nosso primeiro-ministro. Por duas razões. (1) Estamos a falar de controladores aéreos e não de taxistas. Estamos de falar de uma profissão de altíssima responsabilidade por razões óbvias. Ao atuar daquela forma, esta "corporação" revelou que não tem respeito pelos seus concidadãos. É típico das "corporações": julgam que são especiais, julgam que estão acima do cidadão comum. (2) Uma greve tem regras claras. Isto não foi uma greve. Foi um motim de um grupo de pessoas que se julga acima da lei.


II. Se bem percebi, os controladores não querem a privatização daquela parte da gestão dos aeroportos. Percebo. Numa empresa privada, estes controladores serão apenas isso: controladores. Numa empresa privada, não terão a possibilidade de desenvolver a mentalidade que está a montante deste motim: tal como outros funcionários do Estado, estes controladores julgam que são "um Estado dentro do Estado", "Um Estado dentro do Estado" que prejudica imensamente a sociedade e os cidadãos. E esta mentalidade é aplicável à generalidade dos sindicatos dos setores públicos, sobretudo na área dos transportes.

 

III. Como só vivem e pensam dentro do "gueto sindical" , estas corporações não percebem uma coisa: as sociedades já não têm paciência para esta intifada dos setores públicos. Aliás, a linguagem usada por estas intifadas laborais é, cada vez mais, uma linguagem alienígena para a maioria das pessoas. Não por acaso, estas birras corporativas só contribuem para aumentar o abismo entre a população em geral e os sindicatos dos funcionários do Estado. Até porque estes funcionários do Estado ganham muito bem. A SIC, ontem, dizia que um controlador aéreo espanhol ganha 50 mil euros no final da carreira. Pergunto: pessoas que ganham estes montantes (e que ainda por cima têm uma altíssima segurança laboral) têm razões para fazer greve? Têm razões para lançar um país no caos?

 

IV. Os sindicatos/corporações europeias precisam de sair do gueto mental em que se encontram. A Europa e o mundo estão em 2010, mas estas organizações pararam de pensar algures nos anos 1980.

 

 

Texto de hoje do Expresso online.



por Henrique Raposo às 10:49 | link | partilhar

Sábado, 4 de Dezembro de 2010
Francisco Sá Carneiro

Como é que um solitário pode estar em sintonia com uma sociedade? Foi o que aconteceu com Francisco Sá Carneiro na década de 1970. Dos quatro líderes partidários da nova democracia, era o que tinha o feitio mais difícil. Não dispunha do traquejo político de Álvaro Cunhal ou de Mário Soares, mais velhos e politicamente activos desde havia décadas, nem do conhecimento do Estado de Diogo Freitas do Amaral, professor de direito administrativo. Mas ao contrário deles, este jovem advogado (tinha 39 anos aquando do 25 de Abril) era um homem em mudança. O que, num país em mudança, fez dele um “homem representativo”. Nem por isso teve um percurso fácil.  

A descoberta da política.

Sob a ditadura salazarista, a política estava tão condicionada, que só pequenas minorias de um lado e outro a faziam. Mesmo os instalados no regime preferiam, na sua maioria, passar por simples funcionários. Em 1968, ao suceder a Salazar, Marcello Caetano pareceu querer alterar tudo isso. Propôs-se “conversar”. Admitiu “evoluir”. Foi o que finalmente trouxe para a política um advogado do Porto, Francisco Sá Carneiro. Tinha 35 anos. O pai fora deputado. Mas ele nunca tivera qualquer “participação política”. O que o atraiu, em 1969, quando convidado para integrar, como independente, a lista de candidatos do governo à Assembleia Nacional, foi a perspectiva de uma mudança.

A industrialização, a emigração e o turismo estavam a transformar o país. Mas a ditadura e a política colonial continuavam a separar Portugal da Europa ocidental. Sá Carneiro acreditou na possibilidade de Marcello Caetano fazer evoluir a ditadura para “um regime de tipo europeu ocidental”. Mas se isso o afastava dos velhos salazaristas, também o distinguia das oposições de esquerda, então rendidas ao marxismo, que convencera muitos esquerdistas que a alternativa à ditadura salazarista era outra ditadura, de tipo soviético ou maoísta. Por essa razão, Sá Carneiro esteve disposto a dar uma oportunidade a Caetano.






por Rui Ramos às 14:16 | link | partilhar

Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010
"Orgulhosamente sós", versão socialista

1. Propostas de Bruxelas estão desajustadas da realidade - Helena André.

 

2. Tem toda a razão, a nossa ministra. É que Portugal está mesmo completamente desajustado em relação à realidade europeia. Estamos num "orgulhosamente sós" em versão socialista.



por Henrique Raposo às 15:31 | link | partilhar

Armando Vara, o omnipresente

"Posso perceber que era para ter o doutor Armando Vara e o que isso significa no conselho do BCP. A minha leitura da operação não se ter feito foi porque o poder político em Portugal não quis".

Fernando Ulrich, Jornal de Negócios.



por Henrique Raposo às 12:06 | link | partilhar

A minha mãe e o PREC

Crónica da semana passada.



por Henrique Raposo às 09:51 | link | partilhar

Deus é moderno

 

(...)

 

Enquanto a Europa permaneceu como árbitra cultural do mundo, a América simultaneamente moderna e religiosa "podia ser descartada como uma bizarria". Ora, em 2010, podemos dizer o seguinte: a Europa é que é uma bizarria, uma bizarria ateia no meio de um mundo de crentes.


III. O iluminismo americano sempre conviveu com a religião, ao contrário do iluminismo europeu. "O Regresso de Deus" mostra - precisamente - que a visão americana da modernidade venceu a visão europeia.

 

(...)

 

Texto de hoje do Expresso online.



por Henrique Raposo às 09:35 | link | partilhar

Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010
Anti-qualquer coisa

A esquerda só consegue pensar numa base anti-qualquer coisa. Há uns anos, a moda era o anti-americanismo. Há sempre o anti-Israel. E agora a moda é o anti-Alemanha. O anti-UE será a próxima moda primavera-verão. Eu gostava de ser assim. Juro. Não tinha tanto trabalho.



por Henrique Raposo às 19:24 | link | partilhar

Uma novidade: a ciência

 

Como estamos sempre a chafurdar na maionese do pessimismo, nunca reparamos no lado solar de Portugal. E, nos últimos anos, este lado solar foi reforçado por uma peça inesperada: os nossos cientistas andam a partir a loiça.

 

Texto de hoje do Expresso online



por Henrique Raposo às 09:56 | link | partilhar

Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010
O fascismo vermelho




por Henrique Raposo às 18:33 | link | partilhar

Está fora de moda, o que é uma pena



por Henrique Raposo às 17:36 | link | partilhar

9%

1. Ao que parece, apenas 9% dos trabalhadores da Auto-Europa fez greve. Não vi as imagens, mas aposto que a CGTP apareceu à porta da fábrica cantando vitória. Teve azar. 91% da força laboral da fábrica é composta por perigosos neoliberais.

 

2. Muitas vozes continuam a dizer que um projecto de uma sociedade liberal choca com uma coisa chamada "Portugal". O discurso do costume, com várias décadas. Estas pessoas olham para os 9%. Eu gosto mais de olhar para os 91%.



por Henrique Raposo às 14:30 | link | partilhar

Código laboral, ou a injustiça geracional

É triste perceber que esta gente é "dispensada" sem atender ao mérito individual. São estes os sacrificados apenas porque nos "outros", com contrato de trabalho, ninguém se atreve a tocar, tal é o inferno financeiro e burocrático exigido por uma lei laboral tão anacrónica quanto rígida. O seu estatuto e antiguidade torna-os intocáveis mesmo que de calões ou incompetentes se trate. Isto conduziu-nos a uma das mais baixas taxas de mobilidade profissional da Europa, com quase 2,4 milhões de trabalhadores (47% da população activa) com o mesmo trabalho há mais de dez anos.

Sobre estes imobilismo e injustiça quase ninguém fala. Separa os protegidos pelo "sistema" dos que não conseguem entrar, oscilando entre desemprego e precariedade. Estes "outros" são já um milhão e meio, quase um terço da população activa, a ser discriminados perante o clube do emprego-para-a-vida.

A esta injustiça jurídica acresce uma outra geracional. São os jovens que mais sofrem com a precariedade. Basta olhar para as estatísticas para perceber este enviusamento geracional do mercado do trabalho. Há toda uma geração entalada, sem oportunidades, por causa de uma lei laboral rígida que não promove o mérito, nem a mobilidade profissional, sendo que os novos se têm de contentar com uns biscates temporários ou a emigrar para outras paragens. Até quando?

 

Paulo Marcelo



por Henrique Raposo às 13:12 | link | partilhar

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