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Clube das Repúblicas Mortas

Clube das Repúblicas Mortas

14
Set10

O cinema infantilizado

Henrique Raposo

I. Alertado por um artigo já antigo do TLS (Clive Sinclair, "Total Eclipse" , aka o artigo-descaradamente-roubado-por-este-texto), resolvi fazer um exercício: comparar um clássico com o seu remake. Ou seja, resolvi comparar, vá, a psique do original com a psique da sua reconversão moderna. E o resultado é um pouco triste: nos anos 50, o espectador era tratado como um adulto; no nosso tempo, o espectador é tratado como uma criança ou mesmo como um imbecil. Hoje em dia, parte-se do pressuposto de que o espectador é burro. O argumentista e realizador metem tudo na misturadora e servem uma papa já mastigada ao espectador. Como é óbvio, este modus operandi destrói os silêncios, os subentendidos, o mistério de um frame não explicado, enfim, destrói a imaginação do espectador.

 

(...)

 

post de hoje do Expresso online

13
Set10

A mesquita e a "maioria"

Henrique Raposo

Nuno Gouveia,

 

I. Eu não falei na queima do Al-Corão. Não entrou no argumento. Mas já que falas disso, uma pergunta: as duas situações são comparáveis? Um acto primário de intolerância (queima de livros) pode ser comparado à construção de uma mesquita? Não me parece. Não tem comparação. Até porque em NY há outras mesquitas. Aliás, há dias, vi na TV que há outra mesquita ali bem perto, com uns 40 anos. Essa mesquita já existente também é uma ofensa às vítimas?

 

II. E, sim, acho que as autoridades devem meter os corninhos de fora quando um louco quer queimar livros. Queimar livros não me soa bem. Não sei porquê. Falas em bom senso, e depois achas que está tudo bem numa queima homérica de livros? Bom senso? Bom senso é acabar com a tese que está a montante de tudo isto: "foi o Islão que derrubou as torres". Isso é que era bom senso. E o lado positivo desta polémica é mesmo esse: forçar os EUA a pensar sobre isso, longe da emoção fácil.

 

III. Curioso é isto: não falas da tese do meu texto. Ou seja, parece que concordas com a ideia de que “o problema é o Islão por inteiro”. Aliás, quando dizes que há que respeitar as famílias das vítimas, estás a consagrar essa tese. Uma tese perigosa, diga-se.

 

IV. Argumentos do estilo “a maioria prefere x” não colam neste debate. Há coisas que estão acima da vontade da maioria. Estou certo que concordarás com este princípio-base.

 

V. Isto é uma provocação desde o início? É possível que seja. Mas isso não invalida nada do que escrevi. Aliás, até reforça. É a coisa do "dar a outra cara". É a coisa da superioridade civilizacional. Nós não nos medimos pelos critérios da Arábia, do Egipto ou de um imã-americano-provocador.


13
Set10

Cavaco a fazer o jogo do PS, i.e, do aumento de impostos

Henrique Raposo

O que me enerva nesta "estória" toda é que Cavaco está a fazer o jogo do PS, i.e., está a fazer o jogo do aumento dos impostos para diminuir o défice. Tanta conversa sobre o monstro, e depois nada. A dramatização, feita por Cavaco e pelo PS, para a aprovação do Orçamento - seja ele qual for -, favorece, como diz aqui Vítor Bento, o aumento dos impostos e não o corte na despesa. Obrigado, sr. Presidente.

13
Set10

Esta senhora com 12 porta-aviões na mão é uma ideia que dá medo

Henrique Raposo

 

(...)

 

III. O ponto mais forte dos críticos desta mesquita é, claro, a emoção dos familiares das vítimas. Num tempo como o nosso, em que a emoção televisionada tende a vencer a razão assente em valores e factos, este argumento tem peso. Mas vamos lá com calma. Apesar de pura, a indignação das famílias das vítimas está errada. É uma indignação que assenta num falso pressuposto "oferecido" por Bin Laden: as torres foram derrubadas pelo Islão por inteiro.

 

IV. Com a previsibilidade matemática dos populistas, Sarah Palin já aproveitou esta onda emocional: A Dona Alasca disse que a Mesquita fere o coração americano. Mas porquê? O construtor da dita não é Bin Laden, mas Feisal Abdul Rauf, um imã americano, conhecido por incentivar o dialogo inter-religioso. A emotividade anda a estragar, há muito, a cabeça à direita americana.

 

 

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