O meu computador não aceita a palavra “tântrico”.
Há aqui um padrão. João Miguel Tavares foi processado. Pedro Lomba saiu do Diário Económico sem uma palavra do seu director, um homem que se tem notabilizado pelo seu socratismo. O Jornal Nacional de Moura Guedes desapareceu. Agora, sabemos da existência da "publicidade selectiva".
Por que razão o PSD não exige a presença no parlamento das empresas públicas que fazem publicidade selectiva? Não o faz, por uma razão simples: muitas dos directores dessas empresas são do PSD. Esta asfixia rosa será, um dia, a asfixia laranja. A morte do regime é isto: dentro do próprio regime não existem forças capazes de renovar e refazer as coisas.
Facto: Sócrates mentiu ao país no verão, quando disse que não sabia que a PT ia comprar a Media Capital. O Expresso deu logo essa notícia no verão. Ninguém desmentiu essa notícia.
Facto: sabe-se, agora, que empresas públicas retiraram publicidade a jornais que incomodavam Sócrates.
Pergunta: como é que Sócrates ainda pode estar no poder? O PS não faz nada? Os fundadores do regime acham isto bem?
Pois, o levantamento já foi feito. A questão objectiva que salta à vista é só uma: Sócrates ainda tem condições para ser primeiro-ministro? Aquilo que ali está não é suficiente para demitir Sócrates? Se fosse outro qualquer - Durão ou Santana - já não tinha sido demitido?
É uma pena que o Diário Económico ande nestes preparos. Ler aqui o Pedro Lomba.
Num tal estado de direito, as escutas seriam congeladas até que Sócrates deixasse de ser PM. Depois, sem essa impunidade política, toda a gente poderia saber o que está nas escutas... e metade do PS tinha de emigrar para o Burundi.
Acabo de receber um mail que começa assim: "Dear Mr. Raposa". Lindo.

Crónica do Expresso: "Soarismo Tardio".
[...] Perante o actual cenário, Soares - como salientou Medeiros Ferreira - só tinha duas opções: ou estava calado ou indicava um caminho institucional para a regeneração do regime. Soares não fez nem uma coisa nem outra, acabando por enveredar pelo pior dos caminhos: assumiu posições tribais, como se fosse um mero apparatchik socialista [...]
Ah, pois, mas onde estava Alegre quando Rui Pereira saiu do TC e foi direitinho para o governo?

Hoje, no Hollywood, passa um filme que eu adorava quando era puto: "Terror na Auto-Estrada" (1986), de um realizador que nunca mais fez nada de jeito. Vi o filme algures em 1989, num sábado à noite, na rtp 1, emparedado entre o meu pai e o meu avô. Ambos dormiam. Era o tempo em que o cinema era respeitado na tv. Ficou uma boa memória do filme. Ou melhor: ficou boa memória daquela noite de sábado. Hoje, estou com medo de o rever. Se calhar, não vale um caracol. Entre uma boa memória e uma má reavaliação, prefiro ficar com a primeira.




