1. O BE é um dos vencedores da noite. Esta estranha coligação de gente respeitável (a esquerda libertária, pós-moderna, a esquerda das causas, dos golfinhos e dos gays) com gente altamente pouco respeitável (a malta da Albânia) lá vai fazendo o seu caminho. O BE, a par do CDS, roubou a maioria absoluta ao PS. Obrigado, Albânia.
2. Mas temos de fazer uma distinção entre o partido e o seu líder. Porque Louçã é um dos derrotados da noite. A vaidade imensa de Louçã perdeu esta noite. Louçã queria ser primeiro-ministro. Louçã queria liderar a esquerda. Louçã queria comer metade do PS. Afinal, ficou em 4.ºlugar. Mais: nos seus dias mais realistas, Louçã apenas poderia desejar que os deputados do BE fossem necessários para o PS conseguir 117. Nem isso Louçã conseguiu. Estou a rebolar-me a rir com a cara que Louçã deve estar a fazer agora. É que além disto tudo, Louçã ficou atrás do partido dos "fachos" (é assim que, em privado, ou nas caixas da net, os BEs continuam a tratar as pessoas que votam CDS). Vou rebolar-me um pouco mais.
3. Se quer ser uma força responsável, se quer ser como os Verdes na Alemanha (isto é, o parceiro natural de coligação com o maior partido da esquerda), o BE fazia bem em mandar Louçã para a Albânia. O BE pode ser um partido importante e respeitável, mas para isso tem de deixar de ser a máscara do PSR.
1. Não há como fugir à coisa: o PCP perdeu. Ouvindo os comunistas hoje, até ficou a ideia de que o PCP foi o vencedor. Mas esse gap entre o comunista e a realidade é normal. Eles são assim. Mesmo quando tiverem 2%, os comunistas falarão com aquele tom de quem vence sempre (mesmo quando perde). Porque aquele tom é o tom da sua convicção utópica. Um comunista não vive na realidade. Ele vive na sua convicção, logo, manda sempre à fava o pó da realidade. Podem dizer-lhe que “vejam lá, vocês agora são os últimos". Na resposta, ele diz “mas o comunista sente de maneira especial, o comunista é especial”.
2. E este é – finalmente – um sinal de modernidade no nosso sistema partidário. Ver o PCP em último é um marco na história do regime. Ainda falta muito para aquilo que existe na Europa – fim dos comunistas -, mas já é qualquer coisa.
O homem que queria ser primeiro-ministro fica em 4.ºlugar.
A malta dos Açores não podia começar a votar às sete da manhã?

António Preto abre telejornais, mas José Lello não. Porquê? Não me lixem.
Anda por aí um milhão de indecisos. O jogo ainda não acabou. Quem vai votar Sócrates já o decidiu há muito. Façam as contas.
Ler sff "Complexo d'Édipo", João Távora.
Que bonito, Louçã a fazer o trabalho sujo para o PS.
Está a dar um filme do Chuck Norris no Hollywood.




