Luís não lia livros; conversava com livros. O livro era um sujeito para Luís. Donde o lápis funcionava como o idioma desse falatório mouco. Luís sublinhava, como se estivesse escutando (e sublinhar é isso mesmo: um escutar com atenção de tísico); escrevia nas margens, como se estivesse a falar para alguém. Essa fala podia ser dirigida ao autor, mas, na maioria dos casos, era dirigida a si mesmo. Aquela conversa era, portanto, um monólogo. Um monólogo clínico, para sermos exactos: Luís sentava, e o livro fazia de psicólogo.




