Quinta-feira, 28 de Abril de 2011
A escola de comentário portuguesa

Qual é a crítica mais comum a Passos? Não é cínico, é ingénuo, é um menino do caraças. Passos não é criticado pelas ideias que apresenta. Nada disso. Criticam-no, porque, imaginem, o homem é ingénuo (a coisa dos tiros nos pés) e porque não transformou o PSD numa coisa norte-coreana. E, no seguimento lógica da coisa, Sócrates continua a ser elogiado ("ah, ele é duro"), porque precisamente é um monstro de cinismo e calculismo. É o tipo que destruiu o nosso futuro próximo. É o tipo que mais atacou a liberdade de imprensa. Mas "ah, foda-se, é um gajo duro". Quando é que Portugal passou a ser esta coisa cínica?

 

A política não é pra meninos, sim senhora, mas há limites para a orgia de cinismo. E depois há um pormenor: analisar política não é o mesmo que fazer política. A crónica, o comentário, etc. devem ser feitos numa lógica exterior ao poder, numa lógica de foder o poder de alto a baixo. Mas, em "Lesboa", quem analisa o poder pensa como se estivesse no poder. É esta a nossa miséria, digamos, cultural: quem escreve, quem pensa, quem analisa não quer foder o poder. No máximo, quer foder com o poder.



por Henrique Raposo às 16:13 | link | partilhar

autores
Henrique Raposo
Rui Ramos
Livros






Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009