- estás no domínio da fé quando dizes que o Iraque ainda pode dar certo. Os neocon, quando falam do Iraque, fazem-me lembrar o discurso da esquerda europeia sobre o estado social: “vai dar tudo certo; é só ter esperança”. Nuno, a guerra foi um erro do princípio ao fim. Não encontras um americano “normal” (ou seja, aquele que não vê a Fox New e que não lê a Weekly Standard) que diga o contrário. “Ainda é cedo”, Nuno?. De forma completamente neoconservadora, remetes para o futuro (que nunca chegará) a avaliação de uma coisa que está feia no aqui e agora.
- Interessa pouco saber se Condi Rice apoiou ou não a retórica do presidente no Médio Oriente. O meu ponto é puxar a atenção para a acção de Rice no Extremo-Oriente e no Índico. E esta acção, assente no realismo americano, é diferente da acção do neoconservadorismo no Médio Oriente. Mais: Rice, no primeiro mandato, estava demasiado presa ao presidente, como é óbvio. Era uma "assessora" do presidente. Só. Uma correcta avaliação do que ela representa só pode ser feita no segundo mandato, quando ela passa a ser chefe da diplomacia americana. E aí as mudanças foram muitas, como tal como podes ver no livro.
- Por que razão é importante moderar o excepcionalismo americano e as lições de moral? Porque, como podes ver no livro, existem regimes iliberais a crescer, e essa gente não quer lições de moral. Há regimes iliberais e anti-democráticos que têm legitimidade (queiramos ou não), e dar-lhes lições de moral só vai criar tensão desnecessária. Mas, atenção, isto não representa o abandono do mundo kantiano. Pelo contrário. Eu não disse que os EUA devem abandonar as outras democracias. Aliás, o enfoque do livro é sobre a relação entre EUA e as democracias já solidificadas. O ponto é deixar de lado uma retórica de liberdade em abstracto (que irrita o modelo chinês) e apoiar em concreto as democracias concretas. O ponto é deixar de lado a ideia de fazer novas democracias e apoiar as democracias já existentes.
- Uma Liga das Democracias explicita, com uma sede e tudo, uma espécie de ONU só para kantianos, seria um desastre. Dividir-se-ia o mundo em dois blocos. Seria uma declaração de “guerra fria” à China. Ora, o verdadeiro kantiano sabe que a unidade entre repúblicas é feita de forma política, de forma bilateral. A “liga das democracias “ kantiana é política, e não institucional, tal como defendo ao logo do livro. É uma aliança, ou uma rede de alianças políticas (tal como existe), e não uma organização jurídica como a ONU.




