[...] Meus caros, o verdadeiro escândalo não advém do estatuto de arguido de Vara (com a nossa justiça, até Afonso Costa se arrisca a ser arguido). O verdadeiro escândalo é este: o governo de Sócrates não devia ter colocado Vara na administração da CGD, e o Banco de Portugal devia ter reagido a essa nomeação. Não interessa aqui a - hipotética - corrupção de Vara. O homem é inocente até prova em contrário, e quem tem o fardo da prova é o Ministério Público. O que interessa aqui é a 'corrupção institucional' disto tudo. O percurso de Vara revela que os dois partidos do poder (o PSD também tem 'Armandos Vara') podem fazer tudo o que quiserem dentro do sistema político e económico. O problema não é Armando Vara per se, mas sim todo o regime. A III República está montada de forma a legitimar a promiscuidade entre a política e os negócios. É o próprio regime que transforma uma coisa 'ilegítima' - essa promiscuidade - numa coisa 'legal'. E a raiz do mal está na existência de centenas de empresas públicas ou semipúblicas, encabeçadas pela faraónica CGD. Ao contrário do que diz a ortodoxia instalada, um Estado com empresas públicas não protege o bem comum. Um Estado com empresas públicas serve apenas os interesses de quem tem os cartões partidários certos (laranja ou rosa). No fundo, a corrupção é a outra face do 'socialismo' e da 'social-democracia' [...]

Na foto, o palácio de Ceausescu, no centro de Lisboa




