
Coluna de hoje do Expresso online:
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Uma multidão de observadores ficou surpreendida com a presença da espiritualidade no último filme de Clint Eastwood, "Hereafter". Confesso que não percebo o espanto. A redenção - tema espiritual e religioso por excelência - é uma constante na obra do mestre. Em "Imperdoável", "Mundo Perfeito"ou "Crime Real", as personagens de Eastwood esboçam o caminho da redenção. Ora, "Gran Torino" é a sublimação dessa marca eastwoodiana, é a parábola perfeita sobre a redenção. E, meus caros cinéfilos, o trajeto redentor de um durão pode ser tão emotivo como o "Bambi". Não choramos, mas ficamos com um nó na garganta durante uns dias. Ou seja, choramos em câmara lenta, como bons adultos vacinados. "Gran Torino" é isso tudo.
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Álvaro Santos Pereira disse, há dias, que está para breve o maior investimento estrangeiro em Portugal. Será aquilo que está na p. 27 do "Sol"?
1. Uma medida de Paulo Macedo até parece que saiu deste último estudo sobre a saúde em Portugal. Em Portugal, as pessoas vão demasiadas vezes ao hospital, quando, na maioria dos casos, bastava ir ao centro de saúde. O que Paulo Macedo vai fazer é aquilo que já existe na Alemanha, por exemplo: x não pode ir ao hospital só porque lhe apetece; x tem de passar - em primeiro lugar - pelo centro de saúde, que avalia a importância do caso. Mais: se o hospital for mesmo necessário, x não pagará nada no hospital, porque passou em primeiro lugar no centro de saúde.
2. Em boa parte dos casos, as pessoas apenas precisam de um enfermeiro, e não de um médico. Outro problema identificado pelo estudo? Temos poucos enfermeiros nos centros de saúde. Isto também devia mudar.

Coluna de hoje do Expresso online:
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Séculos depois, este ambientalismo é o herdeiro directo dessa mentalidade. Mudou de cor? Sim. A utopia tecnológica deu lugar à distopia ambiental? Sim. Mas a maneira de pensar é a mesma: o Homem está no centro de tudo. O Homem santo do iluminismo deu lugar ao Homem pulha do ambientalismo, mas o Homem continua a ser a causa de tudo. É por isso que - como dizem vários cientistas não-ativistas - os vulcões e as variações do Sol ficam de fora dos modelos climatéricos do costume. Um pouco estranho, não? É por isso que que as vanguardas do ambientalismo procuram explicações antropocêntricas para fenómenos naturais como o tsunami do Japão. Como não toleram a existência de forças superiores ao Homem, como não toleram uma natureza superior ao Homem, estas vanguardas verdes acham que os atos da natureza só podem ser efeitos de uma causa humana. Um pouco anti-científico, não?

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A desonestidade de Aswany e dos árabes em geral não está nas críticas a Israel. As acções de Israel podem e devem ser criticadas. A desonestidade está no facto de os árabes não olharem para factos simples: o Hamas dispara rockets contra Israel, os túneis servem para o Hamas receber mais armas. Uma discussão séria do assunto tem de contemplar estes dois factos. Mas, na visão árabe, estes pormaiores são simplesmente ignorados. Porquê? Porque Aswany & cia. não estão interessados nos erros políticos de Israel. Para Aswany, Israel é um erro, um erro histórico, um erro ontológico. E quem pensa assim não perde tempo com análises a erros de conjuntura, não é verdade?

O amor começa numa estranha regra da intimidade: só dizemos certas coisas a estranhos.


No jargão cinéfilo, existe um termo um pouco vago: "filme de actores". O que é, afinal, um filme de actores? Talvez seja isto: sem Streep, "As Pontes..." seria uma xaropada venezuelana. Com Streep, é um grande filme.

Coluna de hoje do Expresso online:
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Mas, com ou sem democracia, os muçulmanos têm mesmo de resolver a questão que está no centro do seu barril de pólvora: o desprezo pela mulher, a submissão da mulher, o pecado em cada curva. Nas últimas décadas, as sociedades muçulmanas passaram a ver a mulher como sinónimo de demónio (nos dias pares) ou de coelhinha parideira (nos dias ímpares). Por outras palavras, o centro muçulmano aceitou as teses wahabistas. A mulher passou a ser apenas um corpo, um corpo sem personalidade, um corpo onde apenas existe o pecado e a procriação. Só. Neste contexto, os sacaninhas-que-molestam sentem que podem transformar as mulheres em meras bonecas insufláveis. Ora, como relembra Al Aswany, o Islão não tem de ser isto, o Islão não tem de ser sinónimo de wahabismo. Aliás, num tempo não muito distante, a sensualidade da mulher não era uma ameaça para Alá.

Nos becos e vielas da redenção, William Munny mata. Walt Kowalski deixa-se matar.




