Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
A coesão social não depende da "justiça social", mas sim da "justiça"

Um texto fraquinho sobre um problema realmente pouco importante em Portugal, a ausência de estado de direito. No site da Exame.



por Henrique Raposo às 16:46 | link | partilhar

O pronunciamento de Cavaco, e o fim do regime

1. Cavaco ontem fez aquilo que, no passado, se chamava "um pronunciamento". No passado, quando o país ainda não tinha bases constitucionais maduras, no passado, quando o país se divertia a fazer golpes de estado, um tipo chegava e dizia aquilo que Cavaco disse ontem: "aqueles tipos não são de confiança". Depois, esse tipo ficava à espera dos seus generais. Nunca chegava a haver guerra civil. Contavam-se apenas as armas. Se tivesse mais armas do que o outro, o tipo ganhava sem disparar um tiro. Cavaco abriu fogo. Deve ir à guerra sozinho. Até porque, estou desconfiado, já não tem generais no coldre.

 

2. O que isto tem que ver com a política constitucional, com o respeito pelas instituições? Nada. Políticos e jornalistas deram mais um tiro naquilo que já é um cadáver: a III República.

 

3. Só vejo uma coisa boa no meio desta merda (sim, merda) toda: são estas crises que levam as pessoas a perceber que é preciso mudar o regime, que é preciso refundar o regime, para que exista uma sensação de recomeço. Todos os regimes, de tempos a tempos, necessitam desse recomeço.

 

4. Isto não é assunto para divisões primárias entre esquerda e direita, isto não é assunto para barricadas, com a esquerda com Sócrates, e a direita com Cavaco. Isto é demasiado importante para isso. Está em causa algo superior ao "direita vs. esquerda".

 

 



por Henrique Raposo às 12:29 | link | partilhar

Terça-feira, 29 de Setembro de 2009
PSD, SPD

Na Alemanha, o PSD alemão também perdeu. Convém sempre lembrar que, até prova em contrário, o PSD é social-democrata, ou seja, é de esquerda. Um pormaior que convém sempre lembrar.



por Henrique Raposo às 13:57 | link | partilhar

Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Tenham calma

Não se passa nada. Amanhã, Cavaco vai dizer que votou PS, e que está tudo bem.

 

 



por Henrique Raposo às 23:02 | link | partilhar

CDS

Mais importante: apesar do crescimento da esquerda, é relevante para o país ter um partido não estatizante e liberal com poder de fogo e voz no Parlamento.


André Macedo



por Henrique Raposo às 22:06 | link | partilhar

Convém lembrar uma coisa (que, de forma inacreditável, esteve ausente da campanha)

... nos últimos catorze anos, o PS governou durante onze anos e meio. Os números não mentem. Se o país está mal, então isso deve-se sobretudo ao PS.

 

Da crónica do Expresso: "Sócrates é o réu".

 




por Henrique Raposo às 21:12 | link | partilhar

Ler sff

Enviesamentos, Gabriel Silva.



por Henrique Raposo às 15:59 | link | partilhar

É bom que o PSD perceba uma coisa:

O PSD não é dono da direita, até porque continua a não se assumir como de direita. Os 10% do CDS não resultam apenas do fracasso de MFL. Há ali muito trabalho de Portas e do CDS em geral. O CDS está a apanhar malta nova que nunca voltará PSD. O PSD tem duas saídas: ou trabalha à direita para voltar ao poder, ou passará a ser um peso morto. Não há lugares marcados.



por Henrique Raposo às 15:49 | link | partilhar

O PCP nunca perde, mãe

A minha mãe liga-me: "votei na velhinha, e perdi. Sabes que não gosto nada de perder, não sabes? Não voto mais". Depois de pensar no dilema, respondi: "olha, mãe, vota na CDU. Os comunistas ganham sempre, mesmo quando perdem". Prefiro uma mãe comuna a uma mãe que não vota. Estou muito cívico.



por Henrique Raposo às 15:39 | link | partilhar

No que dá ter um pai de esquerda



por Henrique Raposo às 15:33 | link | partilhar

Um futuro menos mau

No essencial da governação, o PS terá de negociar com o CDS. Bom. Depois, para compensar, o PS vai dar umas causas fracturantes à sua esquerda. Haverá muito folclore novamente. Menos mau. O pior era ter o BE a meter a mão no essencial.

 

E aí vai ser engraçado ver uma coisa: o ultraconservador PCP vai deixar passar as causas fracturantes do BE e PS? Eu acho que não. Já estou a rebolar-me no chão.



por Henrique Raposo às 15:13 | link | partilhar

Que belo país. Os alemães deram a vitória ao "neoliberalismo". Os alemães são burros, claro

Graphic: German election results



por Henrique Raposo às 13:51 | link | partilhar

Adeus, ASS

1. O PS ganhou as eleições, mas perdeu a maioria absoluta. E o dado institucional mais importante destas eleições é mesmo esse: o PS perdeu a maioria absoluta. E, neste sentido, também perdeu. Não me venham com a "estória" do "quem tem mais votos ganha". Isto não é futebol. O PS perdeu a sua maioria absoluta, logo, perdeu poder institucional, logo, tem de repensar toda a sua forma de fazer política. Mais: o PS perde cerca de 9% em relação a 2005. Mais: Há uns meses, toda a gente esperava que o PS iria conseguir uma nova maioria absoluta. Convém ter memória. O PS sobreviveu, não venceu.

 

2. Agora, Sócrates tem de fazer um workshop com o político menos "socrático" da história: António Guterres. Sócrates tem de aprender com Guterres as maneiras de governar com maioria relativa. A democracia ganha com isso. E isto também significa a saída de ministros que não sabem o que é a palavra "negociar". A começar pelo ASS. Adeus, ASS. Sabe bem ir p'ra caminha sabendo que o ASS já não vai estar cá amanhã.



por Henrique Raposo às 02:37 | link | partilhar

O grande vencedor: o CDS

1. O CDS é um dos grandes vencedores da noite. É talvez o grande vencedor, dado que é o mais "surpreendente". O CDS vence as sondagens (again), e vence a CDU e o BE na luta pelo terceiro lugar. É muito importante ter o CDS à frente da extrema-esquerda. Respira-se um pouco melhor assim. Um ar mais europeu, e menos Chanel 1975. E fica provado que a juventude portuguesa não está destinada a votar na irresponsabilidade do BE. Há gente nova de direita por aí. Fazem menos barulho, mas andam por aí.

 

2. O CDS é agora o partido charneira no sistema partidário português. O CDS é aquilo que o BE queria ser: a alavanca do parlamento, e a peça que fica a faltar ao puzzle parlamentar de Sócrates. Ainda bem que este poder caiu num partido que até acredita na democracia burguesa.

 

3. Resta saber uma coisa: esta vitória de Portas resulta de um crescimento imparável do CDS? Ou resulta da fraqueza do PSD? O CDS está consolidar eleitorado que nunca votará PSD, ou está a receber eleitorado que recusa votar em MFL? Com um líder forte no PSD, o CDS continuará a ter 10%? O CDS tem a palavra. É continuar a trabalhar, como dizia o outro.



por Henrique Raposo às 02:11 | link | partilhar

O PSD quer ser o quê? Um partido de poder ou um partido autárquico?

1. A resposta a esta pergunta foi dada pela própria MFL: o PSD é, neste momento, um partido autárquico, que se preocupa em manter as redes locais de caciques. Mais nada. A declaração de MFL é ainda mais triste por causa disso. No fundo, MFL veio dizer o seguinte: "perdemos as legislativas, mas iremos vencer as autárquicas, logo, estamos bem". Isto, para um partido como o PSD, é dramático. Com este discurso o PSD deixa de ser um partido de poder nacional e passa a ser - oficialmente - uma confederação de caciques.

 

2. MFL não tem condições para continuar à frente do PSD. As listas foram uma miséria, sobretudo porque desprezou a gente nova. A campanha foi feita sem profissionalismo, e sem qualquer sentido político. MFL tinha muita razão do seu lado. Muita mesmo. Escrevi isso várias vezes. Foi a única com coragem para dizer que "não temos dinheiro", o "endividamento é um sério problema". Mas em política não chega ter razão no papel. É preciso pegar nessa razão e fazer um discurso político que entre na cabeça das pessoas.E MFL sempre desprezou esta parte da democracia. Não chega ter a razão técnica. É preciso falar com as pessoas. Democracia não é uma aula de economia ou de contabilidade.

 

3. A nova liderança do PSD tem de resolver uma coisa: o PSD é o quê? O PSD representa o quê ideologicamente? O PSD quer ser apenas uma desculpa para a existência de autarcas ou quer ser um partido liberal e reformista, assumindo claramente a defesa da sociedade contra o Estado?



por Henrique Raposo às 01:11 | link | partilhar

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Rui Ramos
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