Crónica de 17 de Setembro: "Offshore com buço"
Meu caro José Sócrates, tinha tantas saudades suas. Nem imagina. Estou tão contente por V. ter voltado à ordem do dia. Sabe porquê? Porque assim eu tenho - finalmente - a oportunidade de defendê-lo. Há muito que sonhava com o dia em que pudesse dizer "já não estou sozinho na minha estupidez, eu também defendi, desculpei e contextualizei José Sócrates, o nosso El Cid anti-troika". Eu quero ser o seu paladino contra a nova calúnia, contra a nova campanha negra. Ai que saudades, meu caro.
Como V. sabe, anda por aí um jornal a dizer que o meu amigo tem uma família muito especial e suspeita, pois parece que as suas tias e os seus primos têm uma conta offshore que movimentou 380 milhões. Não se apoquente, caro José. Estes jornalistas são uns simplórios e uns desconfiados. Veem o mal em todo o lado. Esta gentinha dos jornais não sabe que ter uma tia com uma offshore é uma coisa normalíssima. Esta nova cabala é, portanto, mais um episódio da sanha persecutória contra os ricos. Então uma pessoa já não pode amealhar milhões de euros num simples trabalho de província? Por exemplo, a minha Ti Milú, lá de Beja, não tem uma, mas duas contas offshore. Uma é para comprar uns sapatos caros, a outra é para a lida da casa. Esta malta de Lisboa pensa o quê? Que é preciso ter estudos para se abrir uma conta offshore? MBA? Nada disso. A minha tia tem o MBA da vida. A Ti Milú trabalhou muito. Fez-se à vida, montou a sua retrosaria e, num milagre quântico, saltou da Retrosaria Raposo para as Ilhas Caimão. Diga lá, meu caro, se isto não é um hino à ascensão social através do mérito? A tiazinha nem sequer precisou de uma família de gestores geniais como a sua. Bastou-lhe o MBA da rua, da vidinha, do calinho na mão.
Caro José, não se preocupe com esta historieta. Provavelmente, é tudo mentira (sabe como são os jornalistas, não é?). Mas, mesmo que seja verdade, tudo isso é normal. É perfeitamente normal um sujeito ter uma tia na Guarda ou Covilhã com uma offshore nas Ilhas Caimão ou assim. É a chamada offshore com buço, uma prática prevista por Basileia III.

(...) Tendo em conta a estatura homérica destes actos, não se compreende o relativo desprezo da cultura portuguesa por Aristides. Não há uma grande biografia. Não há um romance. Não há uma série de TV. Não há um filme. Temos um Schindler e não lhe damos valor. É como se a expressão "herói português" fosse, em si mesma, uma contradição em termos. É como se a expressão "herói português" fosse um incómodo para a nossa visão cínica de Portugal.
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Por Ana Rita Guerra

(...) O pior é saber que este desacerto tem sido protegido pelo poder político. A EDP, como se sabe, é um dos Nenucos fofos da nossa classe política. O dr. Catroga e a dr. Cardona que o digam.
Ora, para piorar a situação, o anterior governo inundou a EDP & Cia com subsídios verdes para a produção da energia mais ineficiente e cara, a saber, a energia das ventoinhas que tomaram conta dos vales e montes. Resultado? Em 2011, numa factura média mensal de 41 euros, um consumidor doméstico pagou apenas 14 euros em energia consumida (34%) e deu mais uns trocos para os custos da rede de transporte e distribuição (22%) . Para onde foram os outros 44% da conta? (...)
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(...) As redacções deste jogo de futebol são as mesmas redacções que não conseguem criar uma linha de comparaçao entre as leis portuguesas e as leis de outros países europeus. Um exemplo: a média de indemnização na Europa está entre os 8 e 12 dias por ano de trabalho. E até existem países que nem sequer têm este limite mínimo. Nós, com a nova lei ultramegaliberal, ainda teremos 20 dias por ano (x12). Ora, como não existe este esforço pela busca de factos que comparem Portugal com outros países europeus, a narrativa dos nossos média fica presa num sufocante provincianismo, que nem sequer chega a Badajoz, quanto mais a Berlim, Amesterdão ou Copenhaga. Porquê? Bom, a julgar pelo que tenho lido e ouvido, parece que as leis laborais destes países do Norte são, ora essa, "retrocessos civilizacionais". E é aqui que está o provincianismo: a malta vê um regresso a Salazar onde existe apenas umaeuropeização de Portugal. É assim a esquerda portuguesa, sempre dependente do fantasma de Salazar (...)
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Da série "coisas que não entendo".
Quando foi nomeado para o CCB, Mega Ferreira era um homem de cultura.
Ao ser nomeado para o CCB, Vasco Graça Moura é um boy.
É a pergunta que apetece fazer depois de ver a capa do Negócios:
"111 mil filhos fictícios" para enganar o IRS.
"Em 2011, numa factura média mensal de 41 euros, um consumidor doméstico pagava apenas 14 euros em energia consumida (34%)".
i, 18 de janeiro.




